A opressão gerada pelos estereótipos

A quebra de crenças contribui para a construção de ambientes seguros

Você já reagiu de maneira opressora tentando se proteger, baseando os seus atos nos estereótipos que o ambiente ou a pessoa em questão carregavam?

Para nos manter a salvo, nosso cérebro se mantém em alerta às situações que possam nos colocar em perigo, sejam elas físicas ou psicológicas. Desta forma, ao nos percebermos insegures, sentimos a necessidade de responder a este estímulo fugindo ou atacando, igualzinho a como nossos ancestrais fizeram.

Esta interpretação do que é seguro, é alimentada pelas crenças construídas ao longo da nossa vida, mas também, pelas referências das pessoas ao nosso redor.

É essa necessidade de proteção que define grande parte das nossas escolhas conscientes, das mais simples às mais complexas. Afinal, quem nunca decidiu por uma profissão pelo potencial financeiro, ainda que tivesse certeza de que não seria feliz?

Outra forma de perceber como este desejo de segurança influencia na capacidade de decisão das pessoas, é observar como ela lida com suas relações interpessoais. Para evitar o conflito e preservar sua integridade, elas se sujeitam à relações abusivas e ambientes profissionais tóxicos, abrindo mão de valores essenciais.

No ambiente profissional, é fundamental que as lideranças assumam a responsabilidade de construir um ambiente favorável à valorização individual e à desconstrução de estereótipos.

Gravei um vídeo sobre este assunto. Para assistir, clique aqui.

A quebra de crenças pode contribuir na construção de relações mais seguras. Photo by RF._.studio from Pexels

A estigmatização dos estereótipos de raça, gênero e classe

Sabemos que ambientes tóxicos e relações abusivas destroem nosso psicológico, mas o que dizer a respeito daqueles que têm, de forma recorrente, seus corpos estigmatizados?

Sobre isso, Aida Carneiro, expõe de forma brilhante em seu artigo para a Carta Capital:

“Pessoas brancas presumem que a mulher negra é um animal. O homem presume que a mulher é submissa. Heterossexuais presumem que qualquer expressão de sexualidade que fuja da sua é indecente.”

A consequência dessa estigmatização, analisando pelo viés raça, é mostrada na pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, que afirma que adolescentes e jovens negros tem maiores chances de cometer suicídio no Brasil.

O risco na faixa etária de 10 a 29 anos foi 45% maior entre jovens que se declaram pretos e pardos do que entre brancos no ano de 2016.

A diferença é ainda mais gritante entre os jovens e adolescentes negros do sexo masculino, onde a chance de suicídio é 50% maior do que entre brancos na mesma faixa etária.

Entre as causas que levam estes jovens a este caminho estão a rejeição, o sentimento de inferioridade e de não pertencimento.

Ao aprofundar-se neste assunto, você perceberá como é impressionante (e assustadora!) a forma como os marcadores de gênero, raça e classe são determinantes em como cada um de nós vivencia essa suposta sensação de segurança e reage a ela.

Esta reação em cadeia, fomentada pela validação de crenças enraizadas e estimuladas diariamente por padrões racistas, machistas, misóginos e lgbtfóbicos, transformam espaços individuais e coletivos (e aqui incluo as redes sociais) em verdadeiras prisões, das quais nem sempre se pode pedir para sair.

Como gerar mudança?

Mudar este paradigma de discriminação para além da desconstrução destes estereótipos e gerar uma verdadeira transformação no mundo, exige que nos responsabilizemos por construir ambientes psicologicamente seguros, tanto na vida privada quanto na pública.

O caminho para isso é a diversidade.

Como exercício, se questione:

Quais são os meus valores pessoais? A minha empresa expressa os valores que carrego? Ela está alinhada com a necessidade de pluralidade do mundo atual? Eu tenho me dedicado a gerar empatia através da minha mensagem?

Basear relações pessoais e profissionais no respeito, transparência e empatia ao invés de se fechar nas bolhas que os estereótipos nos colocam, é abrir espaço para vulnerabilidades de forma que todos se sintam confortáveis em exercer suas liberdades individuais sem medo.

Por Taty Nascimento

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